CONTO 2
Uma aventura inesquecível na Lagoa de Óbidos
Alice Leandro; Beatriz Silva; Rita Malveira
Once upon a time…..
Olá! Sou eu! A Lagoa de Óbidos, e esta é uma história sobre aqueles que um dia me visitaram, como também sobre a importância de proteger o meu lar. Antes de começar, deixem-me apresentar-me. Sabiam que sou a maior lagoa da Europa com ligação ao mar? Localizo-me entre dois concelhos: o de Óbidos e o de Caldas da Rainha, na região oeste de Portugal. Em meu redor encontram uma grande e bela floresta, um lugar rico em vegetação e cheio de vida! Sou uma fonte de alimentação para os humanos e um abrigo para os animais, pois em mim habitam várias espécies únicas e belíssimas.
Ora esta minha história é sobre Luna, uma menina bondosa e aventureira, que com a sua preciosa ajuda me transformou num lugar melhor… Numa bela tarde de Primave-ra, Luna chegou com os seus pais para um acampamento especial. O sol estava doura-do, refletia-se na minha água tranquila e o som das aves misturava-se com a brisa su-ave.
Ao entardecer, depois da tenda estar pronta e de todos se deliciarem com um apetitoso jantar ao ar livre, reuniram-se à volta de uma fogueira, enquanto comiam marshmallows e bebiam chocolate quente. O pai começou por contar uma lenda antiga:
‘’Hace mucho, mucho tiempo, una princesa mora se enamoró de un caballero cristiano. Pero su amor fue prohibido, y el caballero fue llevado a un lugar lejano. Cuenta la le-yenda que la princesa lloró tanto que sus lágrimas formaron esta laguna. Desde enton-ces, la laguna se convertió en un refugio para animales increíbles, con mucha vida, co-lor, plantas y alegría, pero necesitaba nuestra protección. Si no la cuidamos, sus habi-tantes podrían enfermar y desaparecer para siempre.’’
– ¿Desaparecer para siempre? ¿Por qué? – interrogou Luna, muito aflita.
– Los humanos no respetan la naturaleza. Tiran basura al suelo y al mar, y esa basura tarda trillones de años en desaparecer, se acumula hasta que los animales se ponen tan tristes que se van, y estropea lugares tan bonitos como éste. – disse o pai com um tom sério. Os olhos de Luna brilhavam de curiosidade e de tristeza.
‘’Mañana, ¡voy a explorar y voy a ayudar a los animales!”. pensou Luna.
Na manhã seguinte, enquanto os pais ainda dormiam, a menina aventurou-se sozinha pela minha margem, com a intenção de mudar o meu destino. Queria ver os animais da história com os seus próprios olhos!
Enquanto Luna caminhava pela minha margem nessa bela manhã, um Flamingo rosa, muito bonito, observava-a de longe. Era ele que cuidava da lagoa, que via se estava tu-do bem por lá. Era uma espécie de guardião. Luna estava distraída a caminhar e a ob-servar as belas paisagens naturais, e não foi de imediato que avistou o belo Flamingo rosa. Quando o viu, disse encantada:
– ¡Hola Flamingo, eres tan hermoso!
O flamingo todo vaidoso, aproximou-se da menina e disse:
– Thank you. I’m Paco, the flamingo, what kind of species are you? – Luna abriu um grande sorriso e disse:
– Me llamo Luna y soy humana.
O Flamingo muito assustado encheu o seu peito de ar e respondeu:
– Human?! That means you’re the one polluting my home, huh? – Luna, muito pre-ocupada apressou-se a responder:
– ¡Yo, no no, yo sé lo que está pasando y estoy aquí para ayudar!
Aconteceu então que ao olhar para a lagoa, Luna reparou em algo brilhante a flutuar na água. Aproximou-se curiosa e comentou com Paco:
– ¡Mira, Paco! ¡Algo brilla en el agua! – disse Luna, apontando para um pedaço de plás-tico que se agitava na superfície. Na tentativa de apanhá-lo, escorregou e caiu na água! (CATRAPUMM)
A corrente levou-a para longe e o seu amigo Paco, alarmado com a situação, levantou voo e seguiu em direção a Luna. Foi nesse momento que Luna ouviu uma voz profunda que vinha na sua direção:
– Hold on! I can help! Quick! Grab on to my wing! – gritava o pato-real, que estava a nadar pela lagoa. Não demorou muito para que o pato-Real chamasse os seus amigos que, de imediato, bateram as asas para empurrá-la até um local seguro.
Quando finalmente Luna chegou a uma zona mais calma, o majestoso flamingo Paco pousou perto deles e disse:
– You should be more careful. The lagoon is a beautiful place, but it can also be danger-ous!
Enquanto conversavam, aperceberam-se que a amiga Dourada nadava lentamente com um olhar entristecido.
– What happened, Dourada? – perguntou Paco triste ao ver a situação em que a sua es-timada amiga se encontrava.
– Estou fraca … Acabei de chegar das águas do Algarve! Sentia-me esfomeada, pelo que procurei algo para comer na lagoa. De repente, alguma coisa ficou presa na minha barbatana… – murmurou, apontando com a cauda para um saco de plástico preso entre as suas barbatanas e guelras.
A menina sentiu-se culpada. Não sabia que lixo na água podia fazer tanto mal à natu-reza! Foi assim, que se decidiu a ajudar os seus novos amigos.
– ¡Voy a ayudar a tu amiga!
Luna aproximou-se da Dourada e retirou o saco de plástico delicadamente.
– Obrigada! Agora, por favor, sigam-me, pequenos aventureiros! Vou mostrar o cami-nho de volta para o acampamento de Luna. – disse a Dourada, ainda fraca, apontando para Luna e começando a nadar para mostrar o caminho de volta.
Pouco depois, Luna e os seus amigos avistavam a tenda ao longe e Luna correu de ime-diato para os braços dos pais, cheia de felicidade.
– ¿Qué ha pasado? – perguntou a mãe, preocupada.
– ¡Me caí al agua, pero los animales me ayudaron! ¡Y vi que la laguna está en peligro! – explicou Luna.
Os pais agradeceram aos novos amigos, que ensinaram à filha uma importante lição: ‘’La laguna es mágica y está llena de vida, pero necesita que la mantengamos sana. Nunca debemos contaminar la naturaleza.’’
A família passou o resto da tarde a recolher lixo em redor da lagoa, como forma de agradecimento aos animais e Luna até desenhou um lindo cartaz, para que todos os vi-sitantes pudessem apreciar a beleza natural da lagoa.
Naquela noite, enquanto ouviam o som tranquilo da minha água, Luna prometeu cui-dar melhor de mim. Afinal, agora ela sabia que a verdadeira magia da lagoa era a amizade, a vida e o respeito pela natureza.
