CONTO 3
O Livro Mágico
Inês Neves; Ariana Alves; Mariana Roque; Sónia Ferreira
Estava um dia lindo de sol e 4 crianças, vindas de diferentes países e que se tinham acabado de conhecer num campo de aventuras, decidiram passear pela vila de Óbidos. Durante esse passeio, descobriram por acaso a Biblioteca José Saramago.
Olívia, a mais curiosa do grupo, não hesitou e disse:
– VAMOS ENTRAR!
– I don´t like libraries, they’re so boring… – respondeu entediada Carolina.
– Carolina, será bueno para tu inteligencia. – brincou o Tiago, com o seu ar bonacheirão.
(Carolina olhou para ele com ar reprovador!)
– Eu quero entrar, cheira tão bem a bolos e a pão com chouriço. – acrescentou Lucas, seguindo o seu olfato precioso!
– Uh! Alright! Let’s go. – decidiu Carolina.
Os 4 amigos entraram na biblioteca, e dirigiram-se à funcionária que aí se encontrava para obterem informações.
– ¡Buenos días! ¿Tiene algún libro sobre ciencia y filosofía? – perguntou o Tiago intrigado.
– Temos sim. Na prateleira à tua direita, onde temos também os livros de fantasia.
– Boa! É para lá que eu vou. – disse apressadamente Olívia, que não prescindia de uma boa lei-tura fantasiosa.
– Por acaso haverá comida por aqui? – perguntava Lucas com alguma inquietação.
– My God, this boy only thinks about eating, JESUS! – reclamou Carolina, que já não suporta-va a fome incessante do amigo.
– Por acaso oferecemos estas bolachinhas feitas pela pastelaria aqui ao lado! Acabadinhas de fazer!!!
– YumYum, vou ver os livros de culinária. – disse encantado Lucas, que já mastigava ruidosa-mente.
– I’ll see if I can find anything about fashion here. – continuou Carolina, afastando-se dos out-ros.
Enquanto os amigos procuravam os livros que mais lhes interessavam, Olívia encontrava alguma coisa diferente no meio dos de fantasia. Tratava-se de um livro com uma capa dourada que dizia “Aqui serás feliz”. Um livro sobre fantasia, um mundo desconhecido, algo nunca antes visto e que deslumbrou a pequena Olívia.
– Meu Deus, que mundo perfeito, queria tanto entrar nele…- exclamava Olívia, fascinada com o que tinha à sua frente.
E foi assim, que de repente, Olívia se sentiu invadida por um sono profundo, um sono que nunca sentira antes e, sem mais nem menos, desapareceu.
Concentrado na sua pesquisa científica, o Tiago, que estava mesmo ali ao lado dela, não se deu conta do sumiço e dirigiu-se à amiga:
– OLÍVIA, ¿ni siquiera sabes lo que he descubierto, Olivia? ¿Olivia? ¿OLIVIA? (disse o Tiago preocupado quando percebeu que a sua amiga tinha desaparecido sem qualquer explicação).
– ¡CHICOS CHICOS, OLIVIA HA DESAPARECIDO!!! – gritava agora cheio de preocu-paçao.
– Deve estar à procura de chocolate. Não te preocupes! – desdramatizou Lucas.
– WHAT DO YOU MEAN OLIVIA’S MISSING? I’M GOING… I’M GOING TO… faint.
Carolina caíu desmaiada nos braços do Tiago, que a deitou lentamente no chão, ao mesmo tempo que tentava acordá-la.
– Carolina, está bien, la encontraremos, no te preocupes. – dizia-lhe o amigo, tentando reanimá-la.
Lentamente, Carolina foi acordando e deparou-se com algo diferente, que se encontrava no chão. Ali bem perto de si.
– What’s that on the floor? With the golden cover?
– Es un libro. – respondeu Tiago, enquanto se levantava para o alcançar. – he leído sobre él en alguna parte, el libro es mágico, cuando lo abres… oh no… no puede ser…
– Tu entras num mundo cheio de batatas fritas e milkshakes? – perguntava Lucas com olhos de quem devoraria o que quer que aparecesse.
– ¡No, Lucas! Estás en un mundo de fantasía… – respondeu pacientemente Tiago.
– WHAT? OLIVIA IS INSIDE A BOOK? – perguntou Carolina incrédula.
– Sí, y tendremos que hacer lo mismo para encontrarla. – confirmou Tiago.
– NO! NO AND NO! – recusava Carolina.
– Carolina, deja de pensar en ti y empieza a pensar en tu amiga, ella siempre ha hecho todo por ti.
– Ele tem razão Carolina… – afirmava Lucas, apoiando o amigo.
– Fine, let’s go then. – concordou finalmente Carolina.
Decididos, os três amigos abriram o livro e entraram também eles no mundo desconhecido que este apresentava. Assim que abriram os olhos, viram um rio com uma cascata gigante, com uma água muito cristalina, rodeado por árvores cor de rosa como algodão doce.
– ALGODÃO DOCE!!!!! – exclamou Lucas, maravilhado!
– Oh no, LUCAS WE’VE COME TO FIND OUR FRIEND!
– Lucas, por favor, ¡deja de pensar en comida de una vez por todas!
– Ok… (respondeu Lucas conformado com o total desinteresse dos outros pela ideia de algodão doce, que a ele fascinava!)
– Look, there’s something in the tree, it looks like a map!
– ¡Estupendo! Así podré ver dónde estamos.
Tiago abriu o mapa e logo reparou que este não era um mapa normal… estava todo em branco.
– Amigos, el mapa es diferente, no lo entiendo…
– What do you mean you can’t understand? Aren’t you the smart one in the group?
– Deixa-me ver. (Lucas olhou para o mapa mas também ele não conseguiu perceber nada)
– I’m going to sit here on the grass while you stand there trying to make sense of it.
Ao sentar-se, Carolina sentiu a relva a mover-se de uma forma estranha.
– Guys… the grass… is… moving…
Enquanto os amigos confirmavam esta cena bizarra, alguém surgia junto dos três.
– Olá Meninos! Bem-vindos a este mundo que para vocês é desconhecido. Eu sou o escritor José Saramago e vou apresentar-vos duas missões que precisarão de cumprir para encontrarem a vossa querida amiga Olívia.
– This is a dream, I think I’m getting sick. – exclamava Carolina, pronta a desmaiar novamente.
– Hola José Saramago, he oído hablar mucho de usted y he leído muchos de sus libros y soy un gran admirador de su mujer Pilar del Río, era un nombre muy conocido en mi ciudad Castril. Ayúdenos a encontrar a nuestra amiga… ¿por favor? Me siento como un «ensaio sobre a ceguei-ra» con este mapa…
– Meninos, este mapa todo branco tem um sentido. Vocês precisam de completar duas missões para o mapa ficar igual aos que vocês usam no mundo real. A primeira missão é atravessarem o rio cristalino, onde irão encontrar uma sereia que vos vai fazer uma pergunta simples. A segunda missão só poderão conhecê-la ao amanhecer. Daqui em diante, a vossa jornada faz-se a 3, estão sozinhos. Mas não se esqueçam, “se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.
– WHAT DO YOU MEAN ALONE? I don’t know how to do anything on my own, and I did-n’t understand a word he said, TIAGO HELP ME.
– Tranquila Carolina, es una cita de uno de sus libros, nos enseña que es más importante fijarse en la otra persona que mirar, ¡incluso veo esto como una oportunidad para divertirnos y vivir una gran aventura! ¡Hagámoslo!
– Esta aventura vai-me dar fome, precisamos de comida…
– Esta vez Lucas tiene razón, vamos a pasar dos días aquí, necesitamos comida.
Os amigos dirigiram-se então para o rio para completarem a primeira missão. Assim que chegaram, depararam-se com um obstáculo…Não tinham como passar para o outro lado… Intrigados com a situação, deram conta de uma voz suave, que parecia chamar por eles.
– Olá crianças. Bem-vindos à vossa primeira missão! Peço-vos que completem a seguinte frase, retirada de uma música do filme “A pequena sereia”: “quero viver… e quero ver.…”
– “I wanna be where the people are… I wanna see them dancing” – respondeu Carolina, com firmeza.
– Muito bem meninos, podem então passar para o outro lado. Boa sorte na vossa jornada.
– Amigos, las piedras son pequeñas, así que tomémonos todos de la mano y pasémoslas de una en una para ayudarnos mutuamente.
Os amigos conseguiram passar para o outro lado e, para sua grande surpresa, avistaram um acampamento no meio do bosque, onde 3 tendas acolhedoras e um banquete convidativo os esperava.
– COMIDA! FINALMENTE! – exclamou entusiasticamente Lucas, que ansiava por comida.
– Honestly, I was starving. – concordou Carolina.
– Sé que soy inteligente, pero me preocupa cómo vamos a encontrar a Olívia…
– Olivia should be enjoying this moment, she already lives in the fantasy world on her own, so she shouldn’t be scared.
Ao anoitecer, e já devidamente acomodados, os amigos sussuravam…
– Espero que Olivia esté bien… ¡Le encantaría este paisaje… las estrellas brillan tanto aquí!
– É verdade. Ela ia adorar estar aqui connosco.
– What about tomorrow? It’ll be the day of the last mission…what’s next?
Bem cedo, na manhã seguinte, um som suave de sinos despertou as crianças que dormiam profundamente.
– Bom dia, pequenos viajantes. Dormiram bem? – perguntou o escritor José Saramago, que sur-gia novamente no meio do bosque.
– Sí… más o menos. ¡Listos para la última misión!
Lucas (com a boca cheia de bolo de mel mágico) respondia: Estou cheio, mas estou mais que pronto!!
Carolina (yawning): I hope this mission involves pillows.
– Esta é a mais importante de todas. Precisam voltar à Biblioteca… dentro deste mundo. Lá, encontrarão Blimunda, mas esta missão só funcionará se ela estiver em jejum, para que possa olhar para vós e identificar o vosso maior defeito, que deverão tentar corrigir no mundo real. E só assim vão encontrar a vossa amiga.
– ¿La biblioteca? ¿Pero cómo?
– Sigam o caminho dourado que começa debaixo daquela árvore com folhas de papel. Boa sorte!
Seguindo o caminho dourado, rodeado de flores que sussurravam frases de livros muito famosos, os amigos caminhavam cuidadosamente.
– Ouviram isto? Aquela flor, … que parece ser a maior flor do mundo…, acabou de dizer “Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”.
– ¿Es de Saramago… o estoy loco? ¡Vaya! Esto es tan mágico.
– We’re almost there, LOOK! It’s the library! But is it different? Oh my God, it’s floating!
A Biblioteca de José Saramago levantava-se do meio do nada, flutuando no ar, restando apenas umas escadas em espiral por onde os amigos poderiam subir para entrarem.
– Vamos, chicos. Suban rápido, pero con cuidado.
Ao entrarem na biblioteca mágica, viram livros a voar, estantes que se moviam sozinhas e quadros com imagens de escritores portugueses que lhes piscavam o olho.
– Isto é o paraíso… e ainda cheira a pão com chouriço!
– Lucas only thinks about food! FOCUS!
Bem ao fundo da biblioteca, avistaram Blimunda que os aguardava
– Olá pequenos viajantes. Eu sou Blimunda e estou aqui para vos falar dos vossos maiores defeitos. Vamos começar com o Tiago.
Envergonhado, Tiago olhava para Blimunda a medo, mas esta segurou-lhe carinhosamente as mãos e disse-lhe:
– Tiago, consigo ver que por seres muito inteligente, às vezes não és capaz de deixar os outros pensarem por si próprios.
– Es cierto, tengo que dejar que los demás demuestren que también pueden hacerlo.
Passando a dirigir-se a Lucas, Blimunda prosseguiu:
– Lucas, por pensares tanto em comida, começas a ficar desatento e a perder o que é mais importante para ti, a tua saúde.
– É verdade, eu só penso em comida o tempo todo… tentarei corrigir isso.
– E tu Carolina… às vezes és arrogante para com as pessoas e isso poderá deixar-te numa imensa solidão.
– I didn’t realise that, but it’s something I’m willing to change because I don’t like being alone.
– Ótimo, meninos, a minha missão por aqui está feita, queria só que vocês percebessem que esses defeitos fazem parte do que vocês são, mas tudo em excesso faz mal.
Os três amigos repararam numa sombra muito grande vinda do teto da Biblioteca.
– ¡UN PÁJARO VOLADOR! Nunca pensé que vería esto antes, ¡qué increíble!
Todos olham admirados para aquela engenhoca grande, mas ficaram ainda mais felizes por conseguirem finalmente encontrar a Olívia, que vinha na Passarola, a máquina voadora inventada num dos livros do Saramago.
– AMIGOSSS! VOCÊS VIERAM BUSCAR-ME!
– ¡Claro que sí! ¡Hemos venido al fin del mundo por ti!
– E trouxemos comida também!
– I’m sorry for being arrogant and not always valuing your imagination.
– Eu sabia que vocês viriam! A magia deste livro só funciona com amizade verdadeira.
Os quatro amigos abraçaram-se emocionados e, como que por magia, o livro da capa dourada brilhou novamente e transportou-os de volta para a biblioteca José Saramago, em Óbidos.
Aterrando junto à estante da fantasia, como se ainda há pouco dali tivessem saído, perceberam que alguma coisa tinha mudado.
– Então, encontraram o que procuravam meninos? , perguntou sorridente a bibliotecária.
Tiago (com um sorriso enorme): Sí, lo encontramos y encontramos más que eso.
– E as bolachas ainda estão aí?
– I think I have a lot to learn about books and about biscuits, cotton candy and friendships, don’t you Lucas?
– Ups só penso em comida, mas também aprendi que devia estar mais atento e que a amizade verdadeira é o maior sabor que a vida pode trazer.
– E eu percebi que o mundo real também pode ser mágico, se estivermos todos juntos e unidos.
– Estimada señora, ¿podría decirnos en qué libro de José Saramago aparece el personaje de Bli-munda?
– E eu queria “A maior flor do mundo”, fiquei fascinado quando a vi.
– Também fiquei curiosa pela escrita de José Saramago. Vou requisitar o livro “Uma luz inespe-rada”. Afinal foi como tudo começou, aqui no mundo dos livros!
– I’m not going to be left behind, I saw the book “Deste mundo e do Outro” on the shelf, I couldn’t choose another book with all this madness…
Por fim, os quatro amigos deram um abraço muito forte porque conseguiram provar que a amizade verdadeira pode mudar o mundo e que os livros são muito importantes na educação e na imaginação de uma criança.
