CONTO 6
Os irmãos e a vila de Óbidos
Bruno Correia; Nuno Rosário; Vinícius Mattão
Reza a lenda que quatro irmãos muito particulares, depois de muitos anos afastados, pu-deram finalmente reencontrar-se. Seus pais, fascinados pelo mundo e pela história, deram-lhes nomes de figuras fantasiosas e reais e fizeram-nos viajar pelo mundo para que conhecessem e aprendessem novas línguas, lugares, tradições e culturas. Ansiosos por este reencontro tão aguardado, os quatro irmãos decidiram por fim encontrar-se em Portugal.
Em busca de aventura, e vindos de sítios tão diferentes, passearam por terras portugue-sas, descobrindo aldeias, desbravando florestas, navegando nos rios, até chegarem a esse lugar encantado e cheio de charme com um castelo lá no topo: a vila de Óbidos
Tomados por uma enorme euforia e orgulho por terem descoberto tal lugar, decidiram que deveriam organizar um evento para homenagear a futura vila. E, num daqueles momentos mágicos, os quatro irmãos exclamaram em simultâneo:
– We should have a chocolate festival! — dizia Willy Wonka entusiasmado.
– Não, não! Deveria ser algo mais medieval! — contrapunha Afonso.
– Not at all! A Christmas festival would be sooo much better! — argumentava decidido Noel.
Enquanto isso, o quarto irmão, Fernando Pessoa, com um livro na mão, observava o con-flito crescente e já ponderava uma solução.
Passaram-se anos e anos de desentendimentos entre os irmãos. As suas histórias de vida tão diferentes, os interesses particulares que cada um tinha e o passado de experiências que carregavam dificultavam o entendimento e o consenso. Cada um achava-se sabedor de mais e mais coisas, acreditando que a sua opinião deveria prevalecer.
Todos tinham apoiantes das suas ideias, e estas pessoas, que ouviam os argumentos de uns e de outros, aguardavam pacientemente por uma decisão. Enquanto esta não era tomada, mais e mais apoiantes chegavam ao local e começaram a construir uma vila em redor deste tão singelo castelo.
Finalmente, após longos anos de espera, o irmão Fernando Pessoa terminou o seu livro e dirigiu-se aos irmãos, que continuavam em conflito, tentando defender cada um a sua ideia a todo o custo.
– MEUS QUERIDOS IRMÃOS, VENHO CÁ HOJE COM UMA SOLUÇÃO!
– Ah! E o que tem o senhor dos livros para nos dizer, depois de tantos anos?! — resmungava Afonso.
– Hohoho, I’d love to hear what our dear brother has to say! — acrescentava Noel.
– NHOM NHOM, go on, go on!! — murmurava Willy Wonka, enquato comia , claro está… choco-late.
– Como ia a dizer… o ano tem quatro estações, certo? E se, em cada estação do ano, cada um de nós organizasse um grande festival com o seu toque pessoal? Tu, Afonso, farias um evento de temática medieval. No final do ano, o Noel faria um festival de Natal. E tu, Willy, poderias criar esculturas de chocolate e doces mágicos.
Todos ficaram de boca aberta e visivelmente contentes com a proposta. Willy tomou a dianteira e afirmou:
– I’ll be doing a chocolate event, where I can show off my mastery of making chocolate sculp-tures, without a specific theme, so our creativity can run free and where I can taste and try the best chocolate in Portugal. And being the oldest, I’ll be the first event at the beginning of the year, in March. — disse Willy.
Os irmãos aplaudiram, e Afonso acrescentou:
– Eu serei o próximo, com uma feira de temática medieval, onde acontecerão eventos e ativi-dades dessa época gloriosa, com cavalos, lanças, espadas de aço e DANÇAS, MUITAS DANÇAS! Ha Ha! Também nos vestiremos com trajes tradicionais, beberemos e comeremos até que todos estejam satisfeitos. Sendo um grande evento, marcarei para o meio do ano, em Junho.
Com grande entusiasmo, os moradores gritaram e aplaudiram. Até chegar a vez de Noel:
– HOHOHO I’m holding an event to round off the year, and what better way than with a Christmas event, with an ice rink, Christmas lights, theatres, travelling shows, goblins and lots of other attractions for us to get together and enjoy the Christmas spirit.
Todos aplaudiram novamente.
– E tu, Fernando, o que farás? — perguntou Willy.
– Eu? Meu querido irmão… irei fazer um evento dedicado aos livros, que se chamará FOLIO – o Festival Literário Internacional de Óbidos. Um grande evento literário, onde reunirei autores, ilustradores e outros artistas, para que possam mostrar a sua arte ao mundo.
Todos sorriram e correram a contar a novidade a todos os que os quisessem escutar. Os festejos começaram de imediato e estando a decorrer o mês de setembro, todos concordaram que o primeiro festival seria o de Fernando Pessoa. Assim, os novos habitantes de Óbidos manti-veram os festivais vivos até aos dias de hoje. Diz-se que os espíritos dos quatro irmãos continuam a acompanhar cada evento, sorrindo, entre livros, espadas, chocolates e luzes de Natal.
